Tuesday, May 14, 2013

Vôlei em Paris

Há umas 2 semanas comecei a procurar lugares para jogar vôlei aqui em Paris. Achei um email de um cara em blog obscuro, mandei email para ele, e ele falou que devido o feriado, só seria depois de 2 semanas. Coloquei na minha agenda. Achei também um grupo no meetup.com, mas lá eles marcam sob demanda (quando tiver alguém para ser o "anfitrião do evento").

Final da semana passada, criaram um evento no meetup no domingo a tarde em um parque a Oeste de Paris. Me inscrevi para o evento.

Então planejei meu domingo: faço um lanche em casa, vou para o parque mais cedo, faço um piquenique lá e depois jogo vôlei. Um bom plano. Acordei cedo no domingo, fui comprar uma baguete, fiz patê de atum e fiz um lanche de patê de atum com queijo emental.

Fui no parque (demorei ~1h para chegar). O lugar é bem legal, tem 2 lagos, e lota bastante. Quando foi dando a hora do almoço, caiu a ficha: eu fiz os lanches, mas não coloquei na mochila! Fiquei com uma raiva de mim! Daí comprei um cachorro quente (que os franceses chamam de "ot dog") e fui para o ponto de encontro.




Lá, um argelino que ia jogar também estava lá. Mais ninguém. Saímos a procura, no caminho achamos mais um cara. Depois de ficarmos em dúvida onde seria e andarmos um bocado, achamos as pessoas armando a rede na grama!

O jogo foi *muito* legal. É legal ver pessoas de nacionalidades sem tradição no vôlei jogando um nível bom. Deu jogo, mas meu time ganhou todos os jogos! No final, quando tive que ir embora para falar com a família no Brasil, me elogiaram bastante! Me senti um ganhador do Troféu Viva-Vôlei da partida. Tomara que combinem de ir de novo!


Daí hoje tinha o jogo do outro lugar. É a umas 5 estações de tram de casa (isso significa que é bem perto). Fui lá, cheguei no ginásio, pessoas aquecendo. Comecei a aquecer também. Depois, como ninguém sabia quem eu era, vieram falar comigo. Eu contei toda a história, daí falaram que hoje não daria porque ia ter uma partida, mas que eu poderia voltar na semana que vem. Insistiram algumas vezes para eu ficar assistindo para ver o nível se estava bom, não sei se porque acham que são ruins ou se acham que eu devo ser ruim. Mas ia demorar uma meia hora para começar a partida daí desencanei e voltei para casa. Vejamos na próxima semana.


Comentários gerais:
No parque domingo, enquanto jogávamos começou a pegar fogo em algum lugar no parque. Apareceram infinitos bombeiros!



Tinha uma peruana de 1,5m no domingo, que eu não dava 5 centavos que ela jogaria vôlei mas ela jogava bem!

Domingo conheci um Googler da França (ele é publicitário e não computeiro, mas mesmo assim é Googler!).

Para finalizar um pensamento do He-Man, porque eu achava que deveria só fazer coisas que não posso fazer no Brasil:


Saturday, May 11, 2013

Basiléia - Suiça

Dia 8 e 9 de maio são feriados na França e, como descobri isso de última hora, comecei a procurar lugares para viajar em que ida/volta/albergue fossem baratos e não fosse longe (dado que só ia poder ficar 2 dias). Olhando no mapa, vi que a Basiléia (Basel em inglês e Bâle em francês) não era tão longe (conhecia a cidade de nome porque tem um campeonato de clubes de vôlei no final do ano nela). Perguntei a um amigo que já morou na Suíça e ele falou que valia a pena. Fui procurar então passagens e hotel barato.

Achei trem para ida em um preço razoável, albergue também (vou falar sobre ele com mais detalhes). E achei uma carona em um site estilo unicaronas da França. Comprei as passagens, reservei o albergue e a carona (isso era segunda-feira e eu ia na terça e voltava na quinta). O cara da carona tinha até terça de madrugada para aceitar meu pedido ou não. A segunda inteira eu ficava atualizando o site para ver se o cara tinha aceito ou não e nada... Até que deu o tempo limite, e o cara não aceitou. Fiquei desesperado para procurar jeito para voltar. Achei um trem bem caro, e como não tinha outro jeito, teve que ser ele. Fiquei me convencendo por umas 2h que seria melhor, já que ganharia umas horas na cidade. Isso quando o cara me manda uma mensagem falando que não tinha conseguido aceitar por causa do deadline, se quisesse eu poderia pedir de novo. Todos os argumentos que eu estava me convencendo foram por água a baixo e fui logo reservar (o cara aceitou, mas demorou algumas horas, já estava ficando preocupado). A passagem de trem eu consegui cancelar sem nenhuma taxa.

Peguei o trem para a Basiléia,  atrasou um pouco e cheguei lá umas 22h10. Fui para o albergue. Como eu havia comentado com muita gente, eu me hospedei o YMCA:



(it was fun to stay there).

Mas para a piada ser completa, olha em que quarto eu fiquei.



E olha a cor da entrada do quarto (não eram todos dessa cor):



Os funcionários do albergue vestidos de índio, cauboi e pedreiro, eu achei melhor não tirar foto porque é muita invasão de privacidade (o policial entra na história mais tarde).

Depois de fazer checkin (umas 23h), não estava com sono e perguntei para o atendente se era seguro andar de noite na cidade. Ele respondeu "Por que não seria?". Espero que ele nunca vá ao Brasil para saber.

A parte histórica da cidade é bem pequena e concentrada e caminhei por quase toda ela, e indo por fim ao lado da catedral (Munster), onde tem uma visão bem legal do Rio Reno, que corta a cidade. Com toda essa atmosfera refinada, comi meu lanche de pão com salame feito às 8h da manhã para não gastar com comida no trem. Bem high society.



No dia seguinte, fui no museu mais importante da cidade. É um museu com pinturas desde o seculo 14 até a atualidade. Muita coisa bem legal. Além disso, estava tendo uma exposição do Picasso, mostrando as fases do pintor.
A tarde fui passear pela cidade de novo (agora de dia), e no final da tarde sentei para tomar sol nas margens do Reno (bem lotadas!).



No dia seguinte fui em um museu de antiguidades mas não pude ficar muito porque queria passar no supermercado antes de pegar a carona. Só que.... era feriado! Supermercados estavam fechados. Tive que comprar chocolate em uma outra loja que era um pouco mais caro (mas nem deu taaaanta dor no coração porque eu tinha que gastar os fracos suiços mesmo =) ).

Peguei a carona!  O motorista era um policial francês que mora perto de Paris, e cujas namorada e família moram na Suíça. Muito gente boa o cara, foi mostrando algumas coisas interessantes no caminho até Mulhouse (lê-se muluse, é uma cidade perto onde pegaríamos as outras 2 caroneiras). Até esse ponto foi mais de boa falar o francês porque ele falava e eu respondia. A partir de Mulhouse, subiram as outras duas moças (uma fotógrafa e a outra trabalha com transporte internacional). Dai foi no modo hard o fracês! Eles falavam bem rápido. Eu conseguia entender o contexto e muitas coisas, mas não conseguia participar ativamente da conversa, a menos quando me perguntavam algo e o ritmo da conversa diminuia. Falaram da Austrália (que uma das meninas tinha morado), fotografia, policiais alcóolatras. Foi uma experiência a parte. Foram 8h de viagem (4h a mais que de trem) mas valeu muito a pena (sem contar a diferença de preço!).

Comentários gerais:

Eu sabia que na Suiça existem várias línguas oficiais, mas como a Basiléia é bem perto da fronteira eu pensei: "alguma coisa de francês eles falam". Ledo engano. Eles falam alemão e quem fala fracês não é tão fluente. Eu acho legal falar alemão já que estudei um tempo, mas não estava preparado psicologicamente para isso. Mas vamos então tentar falar alemão. A maioria das vezes eu conseguia formular as perguntas, mas quando respondiam ou eu não entendia bem a resposta ou a tréplica eu me embananava e começava a colocar palavras em francês no meio (queria evitar o máximo o inglês! acho legal me virar no alemão/francês!).

Tem tram (bondinho) pela cidade *inteira*. É meio bizarro os carros passarem nos mesmos lugares que eles (aqui em Paris, é separado a via do tram e a dos carros).

Encontrei Fanta sabor Manga lá! (Comprei mas não estava gelado, então ainda não tomei).

Comi um croissant de chocolate rechado de toblerone!


Mais fotos aqui.

Sunday, May 5, 2013

Paris


Quando cheguei e fui passear pelo centro eu pensei "Nossa, as ruas de Paris são todas iguais". Hoje vejo que não podia estar mais errado. O centro de Paris é sim muito regular, simétrico e repetitivo. Mas isso se deu por uma reforma no começo do século 19 que estabelece leis para construção por ali. Não que seja feio, muito pelo contrário, mas é tudo muito parecido. Fora que isso causou uma especulação imobilária em Paris gigantesca, dado que os prédios podem ter no máximo 5 andares.



Mas sempre que vou para outros bairros (aqui chamados arrondissemants), me surpreendo e encontro uma Paris nova. O primeiro desses foi o bairro do laboratório em que eu fico (o 13o). Achei tudo muito moderno e muito diferente (inclusive o prédio do meu laboratório é muito bonito, segue uma foto dele).



O Montmartre (bairro onde ficam o Moulin Rouge e a Sacre-Couer) ficou fora da reforma também, porque na época era o reduto boêmio da cidade e acharam melhor não reformar para não inviabilizar a vida de artistas em Paris, o que faria com que a cidade deixasse de ser um dos pólos culturais.






Mas o que me surpreendeu mesmo foi quando fui para o La Defense. Eu chamar o bairro do meu laboratório de moderno é quase uma ofensa para esse bairro.


 

Tuesday, April 30, 2013

Final da liga de vôlei francesa

Hoje ia ter um festival sueco de comemoração da chegada da Primavera aqui na Cité e eu ia nele com o pessoal do meu laboratório. Mas começou a chover e miou nossos planos.

Pensei em ficar em casa estudando um pouco, já que na quinta tenho que apresentar umas coisas para meu orientador. Mas daí lembrei que hoje a noite ia ter o jogo de ida da final da liga masculina de vôlei francês. Na frente da minha casa! Pensei "vou lá e se ainda tiver ingresso eu entro".

Chegando lá, descobri que dava para assistir o jogo de fora (no alto do ginásio tem um vidro que dá justamente para a calçada). Mas estava bem frio. Fui ver para comprar ingresso e estava uma muvuca, então achei que não ia rolar. Voltei para o vidro e fiquei para assistir o 1o set de fora e depois via o que fazia.

No meio do set fui ver como estava a entrada. Vazia! Perguntei se ainda para comprar ingresso. Dava! 15 euros! Comprei! Fui ver lugar, tinha um na primeira filera, do lado do árbitro. É ali. Fui e sentei e assisti o jogo inteiro de camarate quase.

A liga não é tão forte, e Paris infelizmente perdeu por 3 a 1. Mas a experiência foi muito legal.

Deu para ver como vôlei não é muito reconhecido. O ginásio deve ser menor que o ginásio de esportes de Itatiba e ainda tinha alguns lugares vagos. Os times são cheios de estrangeiros (tinha um brasileiro). E alguns posicionamentos são muito estranhos (o da última foto, o levantador está na 5, não sabia que ele podia ficar à direita do ponta).


PS: Eu não entendia nada dos cantos da torcida e do locutor.







Saturday, April 27, 2013

Compras

Hoje decidi ir comprar um roteador wifi para poder usar o computador na cama, além de ter internet no celular e tablet (afinal, um problema grave do primeiro mundo é não ter internet nos gadgets!).

Fui a um shopping center que fica a uns 15min de tram + metro daqui. Cheguei umas 10h, bem a hora em que tudo abre. Fui primeiro em um Carrefour gigante que tinha lá. Mas é gigante mesmo. Eu me perdi várias vezes dentro do supermercado (também, para andar nele estava fazendo um passeio aleatório).

Depois, fui na FNAC para finalmente comprar o roteador. Escolhi o que queria comprar, e depois fui passear ver o que mais tinha na loja. Achei um livro de mitologia grega por 2 euros (que comprei). Até quando me deparei com uma escada rolante dentro da FNAC. No Brasil isso significaria: a FNAC continua lá em cima. Na França, infelizmente, isso não tinha o mesmo significado. Subi eu na escada rolante e veio um segurança atrás de mim "O QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO?". Fiquei meio sem entender, depois eu percebi que no andar que eu tinha subido não tinha nada da FNAC. Pedi desculpas ao segurança e expliquei (mais ou menos) a situação. De vergonha, paguei e fui logo embora rápido.

Ponto alto da manhã: Tocar "We are young" no supermercado!

Saturday, April 20, 2013

Laboratório

Terça-feira comecei a ir no laboratório para pesquisar. Cheguei lá e encontrei o meu orientador, conversamos um pouco mas ele tinha que sair logo. Ele me deixou com um outro professor e fomos em um seminário de um post-doc do grupo. Na tarde, consegui uma mesa e um computador (eu ainda não tenho login, mas já tenho o computador). O que me impressionou foi a rapidez de tudo e como quase não tive que mover um dedo, só pedir. A secretária do grupo correu atrás da mesa e o computador foi *completamente* instalado pelo pessoa da infra-estrutura. O que me passou a impressão nessa semana é que eles tem um staff para fazer trabalhos burocráticos e que deixe que o pessoal se envolva mais com a pesquisa.

A tarde e no dia seguinte o meu orientador não estava lá e continuei lendo coisas que estava lendo no Brasil (para quem interessar possa, estava lendo a prova que QIP(3) = PSPACE).

Quinta-feira marcamos outra reunião e participamos eu, o orientador e o post-doc do grupo. Discutimos (onde eu me incluo no sujeito mais pela presença física que presença na discussão) o panorama geral atual da área específica que provavelmente vamos trabalhar e o meu orientador já passou coisas para eu ler para discutir com eles. Uma coisa que achei interessante que ele falou é "Aqui somos peers". Achei um pouco diferente do Brasil.

Sexta-feira teve o bolo da sexta. Parece que existe um rodízio e 2 pessoas são encarregadas de fazer um bolo sexta-feira e levar para o laboratório.

Comentários gerais sobre o laboratório:
- Só falo praticamente inglês. Tem várias pessoas que não são francesas e algumas delas não falam nada de francês.
- Franceses não estão acostumados com vários sobrenomes. É meio variável onde meu documento para poder entrar no prédio. Tem dia que é no B e tem dia que é no G.

Termino com uma história sobre uma coincidência enorme que aconteceu no laboratório.

Na hora que a secretária foi me levar na minha mesa, tinha uns papéis e uma pasta em cima dela. Como boa francesa ela não quis nem saber, jogou os papéis no lixo e levou a pasta com ela para guadar.

Mais tarde chega um cara e senta na mesa do meu lado. Ele fala comigo, em francês:
Ele: Você fala francês?
Eu: Sim, um pouco.
Ele: Não tinha umas coisas em cima da mesa?
Eu: Tinha, a Noelle jogou no lixo. Ah, e ela levou com ela a "paste"

Eu não sabia falar pasta em francês então usei a técnica de falar português afrancesando as palavras. Ele percebeu:

Ele: "Você é brasileiro?"
Eu: "Sim, e vocẽ é da Unicamp, não?"

Eu tinha achado que ele parecia um cara da Unicamp que conhecia de  vista. E de fato era ele! O mundo é muito pequeno (ou como diria um professor de economia, a renda que é concentrada).

Monday, April 15, 2013

Chegada

Saí do Brasil no sábado dia 13, com voo para Paris fazendo escala em Madrid. No avião, sentei do lado de uma garota que estava indo fazer intercâmbio na Irlanda e tivemos várias smalltalks durante o avião. Chegando em Madrid, no mesmo que eu estava chegando há 4 anos, bateu uma nostalgia!

Esperei 2h e peguei o voo para Paris. Aqui chegando, depois de muita demora, peguei as malas e fui para a Maison du Brésil. Aqui chegando, fiz o check-in e fui dar uma cochilada (porque não consegui dormir quase nada no voo). Depois, falei com um casal de amigos meus que está estudando aqui em Paris e ela me chamou para jantar com um pessoal brasileiro.

Então fui exercitar o meu poder de estar em Paris e fui andar um pouco pela cidade. Fui nos jardins na frente do Louvre. Estava muito sol e calor, e na Europa isso significa que o parque estava lotado. Finalmente consegui definir um conceito de como europeus se vestem: comercial de perfume!

Comi um crepe porque não tinha almoçado e fui para a casa dos brasileiros. Lá chegando, fui no apartamento dos meus amigos e eles não estavam lá. Então, fui no outro apartamento que ela me passou de fallback. Chegando lá, tinha um brasileiro e ficamos conversando e logo depois a galera começou a chegar. Encontrei muita gente da Unicamp e foi uma noite bem legal!

Hoje, no segundo dia, acordei cedo e terminei de fazer o checkin, fui no supermercado (comi meu primeiro croissant francês!), abri conta no banco (em francês!) e almocei no restaurante universitário!

A seguir, algumas fotos dos 2 dias!